Mendigando companhias

Pensava que tinha tantos ao meu lado!

Foi quando me vi sozinho

Perdido em um caminho

Sem cor, de sabor tão amargo.

Eram tantos risos e brincadeiras

Muitas conversas, muitas besteiras.

Que me alegrava dia após dia.

Me lembro em lamento desses instantes

Dos encontros que eram constantes,

E o quão feliz me sentia.

 

Mas tomei decisões diferentes.

Não, eu não abandonei ninguém,

Não corri ao longe, ao além.

Eu sempre estive presente.

Mas aos poucos fui sendo abandonado

Por aqueles que eram amados,

Sem motivos, sem razão.

Simplesmente partiram de mim

Sem sequer se despedir.

Sem nenhuma explicação.

 

Não suportei as dores do desprezo.

Voltei atrás nas decisões.

Passei por cima de emoções,

Pois grande era o meu desejo.

De ser querido novamente,

De ser amado tão somente,

Por isso voltei atrás.

Mas confesso que sinto um vazio

Minha vida tem perdido o brio,

E por vezes me falta a paz.

 

É que percebi que estou só

Mesmo cercado de gente,

Não há ninguém que me entende,

Nem vêem que estou na pior.

Todos olham a si mesmos

Todos têm um só desejo:

Cuidar apenas de si.

E eu mendigo a companhia,

Destes, dia após dia

Sem sequer olhar para mim.