João sonhava em ser professor
Ele era de um bairro simples e bonito
De um povo alegre e unido
Ligados por amizade e amor.
E João na sua infância,
Era uma excelente criança
Obediente e educado.
Todo o povo o amava
E com carinho lhe chamava:
O menino de mandado.
João vá buscar meu leite!
João compre meu café!
Mal raiava a alvorada,
João já estava de pé.
Mas o menino ia crescendo,
E o povo não percebendo,
O seu sonho singular.
Enxergavam na criança
Um servo de relevância
Em quem podiam mandar.
João um dia disse o que desejava ser
Então ouviram-se risos
Menosprezos sem motivos
E João não pode entender.
Já que todos o amavam,
Porque agora criticavam
causando-lhe grande dor?
O que havia de errado
Se o menino tão amado
Se tornasse professor?
João já era conhecido
João já tinha função
Ir na feira, buscar leite,
Comprar o café e o pão.
E acaso João mudasse
E o povo não se agradasse,
O velho discurso era falado.
Este menino está teimoso,
Seu agir é desgostoso
Não é mais o menino de mandado.
João sofreu muito ao entrar na faculdade
O que este menino está vendo?
Aonde está aprendendo
Estes ensinos de maldade?
João então percebeu
Que para viver os sonhos seus
Não podia ali ficar.
Não tinha mais alegria
Pois tudo que ele ouvia
Era o povo a criticar.
João saiu de seu bairro
E sua vida foi viver
Saiu com os olhos em lágrimas,
Mas precisava crescer.
Ele ainda tem na cidade
Algumas sinceras amizades
De sua infância e seu passado
Mas ele não se limitou
Pois queria ser professor,
E não menino de mandado.
Esta semana João veio seu bairro visitar
E para espanto seu
O povo lhe recebeu
Com grande alegria no olhar.
Todos estavam contentes,
O menino finalmente.
Revisitou o seu passado.
E quando lhe encontravam
Com carinho o saudavam.
Nosso menino de mandado.
João já era adulto,
João já era professor.
João era um homem culto
Que muito se esforçou.
Na história que construiu
Quem o viu lhe aplaudiu,
Pelo sucesso alcançado.
Mas pra quem lhe viu crescer
Ele nunca pode ser
Mais que um menino de mandado.